Arquivo do mês: maio 2014

SÊMEN DE INCÊNDIO

Sêmen de Incêndio

 

na solidão mora o amor e o amor
faz-se outono quando apenas amamos.
consola-me amar.
amar é procurar é perder é morrer.
todos amam e amar, é chorar: amar é minha primavera de boêmio é minha cabala é minha máscara.
amar em todas as noites só por amar.
amar eternamente amar, eu amaria a primeira mulher, sem medida, se amar fosse
somente carne, mas amar, amar mesmo, é desespero.
é verdade, também, que amar é clarividente no beijo, no sexo, no gozo e, além disso, amar é salivar assim como se consome a laranja, a manga, a ameixa, o figo: a mulher.
é lamber o mel na boca.
os limões são azedos e a mulher: doçura.
amar não é viver azul é sofrer azul e, às vezes, amargar em branco.
amar é provar a poesia dos dias, o engano do tempo.
amar é voar sob o céu sob a tempestade sob o manto de luz das estrelas e
cair, cair, cair, cair…
e ressuscitar na derradeira brisa.
não há pecado em amar,
amar é amar e é tudo e é nada.
e se nada é tudo, o tudo é sempre.
sempre é amar e amar é fugir.
estou perdido entre indagações, confesso.
um sopro disse-me que amar é vento.
o vento é plumbaginoso.
o amor: música: vida.
aqui, volto ao outono.
será o amor regresso ou escarlatim ou devaneio?
muitos se suicidam outros esquecem.
outros se calam e pesam.
Amar é fogo e o Amor: incêndio.

 

(Metafísica do Encanto, 2008)

POEMA DE DIEGO MENDES SOUSA

 

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